Reflexos do envelhecimento populacional brasileiro nos custos assistenciais do setor de saúde suplementar: uma análise da projeção para 2060

Danielle Diniz Ubaldine, Herick Cidarta Gomes de Oliveira

Resumo


Este artigo tem por objetivo analisar o reflexo do aumento da proporção de idosos sobre o custo assistencial de saúde, através do estudo explicativo dos dados, de natureza quantitativa, por meio de métodos determinísticos e de componentes demográficos. Visto que, a faixa etária populacional que pertence ao grupo mais frágil e propenso a adquirir doenças e problemas crônicos é a dos idosos, sendo eles, que através da transição demográfica, aumentam em quantidade nas operadoras de saúde suplementar em conjunto com a população total do Brasil. Com isso, aumenta no País o número de habitantes que necessita, de certa forma, de mais atendimentos médico-assistenciais especializados e demandam novas tecnologias que ofereçam tratamentos mais acurados, causando fortes impactos no custo assistencial do setor. Assim, de acordo com os resultados, o crescimento dos custos assistenciais dos idosos relacionado com as demais idades é expressivo, dado que em 2019 era no tocante de R$ 68,8 bilhões e em 2060 passará a R$ 172,6 bilhões, alinhado a evolução da quantidade de beneficiários com mais de 60 anos que entre o período projetado cresceu 150,84%. Além disso, a pesquisa observou o contingente de jovens entre 0 a 14 anos reduzir 24,24%, de forma a alertar os gestores sobre os impactos intergeracionais, causados pelo risco moral da seleção adversa, na sustentabilidade do setor de saúde suplementar.


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